A Carta de Matilda ou o que sei do amor

Hoje recebi uma carta de Matilda. Nada mais atemporal do que uma carta em tempos de “whatsapps”, “skypes” e similares, os genéricos modos de comunicar-se eletronicamente. Não sei se ela me escreveu naqueles dias… Dias aqueles em que o “whatsapp” fora suspenso. Não sei se escrevera inspirada em Temer… Ao menos não me chamou de Presidente, embora tenha se referido ao meu partido. Partido coração. Re-ferido coração, agora pela carta trazida e entregue por um carteiro risonho. Pensei em rasgar e queimar a carta, mas meu peito parecia rasgar e queimar quando a apertei entre os dedos. Cheirei-a e nada do Chanel. Nenhuma gota daquele perfume que usava para dormir, verão ou inverno. Cadê o charme das velhas cartas de amor? De amor? Senti que ainda havia em meu coração uma ponta de esperança. Desapontei-me ao abrir a carta. Havia nela mais verdades tristonhas do que mentiras risonhas. Uma acusação: “poetas nada sabem de amor” e “poetas são egoístas e egocêntricos”. Condenava-me ela. Apelei. Saudade de apelar. A Matilda. A malvada Matilda. Como ela poderia ter escrito tal libelo? É claro que nunca a deixaria sem resposta. Não sou homem de não encerrar as discussões. Saiba, Matilda, que a última palavra é a minha; as demais são chavões recolhidos por aí; frases feitas sem nenhum valor poético, político ou postal. Se quiseres minha resposta não a terás em mal traçadas linhas, em minha caligrafia horrível (ainda tento escrever com a velha caneta tinteiro – presente teu). Lê em meu blog, te mando o link. E saiba que sei do amor.

EU SEI DO AMOR

Não, eu não aceito que você,

Ou outro alguém, algum qualquer venha supor

Muito menos admito que espalhe

Pros meus amigos que eu não sei o que é o amor

Amor é fogo que arde sem se ver

Luiz de Camões me ajudou a entender

Bem mais que hábito, amor é eterno vício

Eu aprendi lendo sonetos de Vinicius

É no amor que a tenho bem mais perto

Descobri isso ouvindo todas do Roberto

O amor é vinho e eu conheço cada safra

Conheço o amor em cada agudo do Biafra

Digo eu te amo , te quiero, aishiteru

Grito jê t’aime, te voglio bene, I Love you

Sei da tragédia do amor levando à morte

Romeu, Julieta, Tristão, Isolda, amor sem sorte

Eu sei do amor, pois já li tudo a seu respeito

Já ouvi tudo que do amor vieram cantar

Eu sei do amor por isso não lhe dou esse direito

De que não sei o que se passa no meu peito

Mas reconheço e não é fácil confessar

Eu sei do amor, só, talvez, não saiba amar.

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8 respostas a A Carta de Matilda ou o que sei do amor

  1. Amanda Bellino diz:

    Lindo! e sabe amar! Parabéns! Amei muito! Obrigada Raul querido! Você é uma benção e uma raridade nos “dias de hoje”… “whatsappsdays”…. rsrs ❤

  2. Como não ter tempo para ler seus tecla(critos)?
    Em tempos de urgências como estes, nada como poder ler cartas de amor.
    Aproveito para desejar um 2016 cheio de inspiração e poesia. Bjs

  3. Meu amigo, tu é um especialista em compor-amor. A Matilda tá por fora!!

  4. Marcelo Schmidt. diz:

    Senhor da escrita, senhor das palavras
    Ah! Senhor dos versos de amor
    Grande Raul!

  5. Tânia Teresinha Lopes diz:

    Amigo! Que coisa mais linda…Abençoada a Medianeira que te possui!
    E felizardo em dobro és tu! Desse assunto és Pós Graduado, Doutorado, etc( se houver)!
    Abrs

  6. Haydée S. Hostin Lima diz:

    Abalou!… e amou! Muito lindo.

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